[Spoilers] As Ilhas de Ferro

Segundo os sacerdotes do Deus Afogado, os nascidos no ferro vieram do fundo do mar, dos salões do Deus Afogado, que os fez à sua imagem e lhes deu as terras das Ilhas de Ferro. Muitos não acreditam nesta versão da história, dizendo que descendem dos Primeiros Homens, apesar de este não ter sido um povo ligado ao mar. Seja qual for a sua verdadeira origem, é verdade que os habitantes das Ilhas de Ferro são um povo singular, com costumes, crenças e formas de governo diferentes do que é comum no resto dos Sete Reinos. É a sua história que vamos aqui contar.

 

As Ilhas de Ferro

Há quem afirme que as Ilhas de Ferro têm este nome devido ao minério que lá se contra abundantemente, mas os nascidos no ferro preferem dizer que o nome está relacionado com a sua natureza, pois são homens duros e inflexíveis, tal como o seu deus. São 31 as ilhas que compõem o arquipélago, sendo sete as principais: Velha Wyk, Grande Wyk, Pyke, Harlaw, Salésia, Pretamare e Montrasgo. Harlaw é a ilha mais populosa; Velha Wyk é a mais sagrada; Grande Wyk é a maior e mais rica em minério; Montrasgo era antiga casa dos Reis de Ferro da Casa Greyiron; em Pyke fica Fidalporto, a maior vila das ilhas, e é esta a casa dos Greyjoy; Pretamare e Salésia são as ilhas menos notáveis.

As riquezas, como o chumbo, o estanho e o ferro, podem ser encontradas em Grande Wyk, Montrasgo e Harlaw. O solo das Ilhas de Ferro não é propício à agricultura, pelo que os seus alimentos são provenientes do mar.

As Ilhas de Ferro
As Ilhas de Ferro

O Deus Afogado

Muitas das diferenças que marcam os nascidos no ferro têm origens religiosas. O seu deus, o Deus Afogado, têm um grande número de sacerdotes, mesmo não tendo livros sagrados, nem templos, nem figuras esculpidas à sua semelhança. Os sacerdotes do Deus Afogado andam mal vestidos, sujos e, muitas vezes, descalços, mas nada disso os impede de andar a pregar a sua palavra de terra em terra. Onde quer que vão, os habitantes são obrigados a dar-lhes comida e abrigo em nome do Deus Afogado. Alguns sacerdotes só comem peixe e a maioria só toma banho no mar.

Os nascidos no ferro também reconhecem o Deus da Tempestade, o opositor do Deus Afogado, que envia ventos fortes, chuvas torrenciais, trovões e relâmpagos, pois odeia os homens e todas as suas obras.

Aeron Greyjoy, sacerdote do Deus Afogado
Aeron Greyjoy, sacerdote do Deus Afogado

 

Coroas de Madeira levada pelo Mar

Na Era dos Heróis, os nascidos no ferro eram governados pelo Rei Cinzento, assim chamado por ter cabelo, barba e olhos cinzentos. A sua esposa era uma sereia, escolhida para que os seus filhos pudessem viver em terra ou no mar, conforme pretendessem. A sua coroa era feita de madeira levada pelo mar, para que todos soubessem que a sua realeza vinha do mar e do Deus Afogado. Diz-se que o Rei Cinzento conseguiu muitos grandes feitos, tendo sido ele a ensinar os homens a fazer redes e velas e a construiu o primeiro dracar.

Depois de derrotar Nagga, o maior dos dragões marinhos, o Rei Cinzento governou durante mais mil anos. Quando a sua pele também se tornou cinzenta, desceu aos salões do Deus Afogado, onde ocupou o seu lugar à direita do deus. O rei deixou cem filhos quando partiu, o que iniciou uma série de problemas, pois todos queriam suceder ao pai, o que levou a muitas mortes. Os sobreviventes dividiram as ilhas entre si e é por essa razão que todas as casas das Ilhas de Ferro, à exceção dos Goodbrother, dizem descender do Rei Cinzento. Esta é a versão dos sacerdotes do Deus Afogado, mas a Cidadela contra outra história. Teriam existido dois reis em simultâneo em cada ilha, um rei da rocha e um rei do sal. O primeiro comandava a ilha, o segundo tratava do mar e dos dracares.

O Rei Cinzento no seu trono
O Rei Cinzento no seu trono

Nas Ilhas de Ferro, as coroas não eram fáceis de obter como noutros pontos de Westeros, onde eram atribuídas em função do sangue e do nascimento. Ali, os homens reuniam-se nas chamadas Assembleias de Homens Livres, onde escolhiam os seus reis. Sempre que um rei morria, os sacerdotes do Deus Afogado convocavam uma nova assembleia.

 

Os Reis de Ferro

Durante muito tempo, as Assembleias de Homens Livres coroaram membros da Casa Greyiron, num total de 38 reis. Esse domínio acabou com Urron Mão-Vermelha e o massacre de Velha Wyk: durante uma Assembleia de Homens Livres, Urron Mão-Vermelha atacou os reis de sal e os reis de rocha, o que culminou na morte de treze reis e meia centena de sacerdotes e profetas – foi o fim das Assembleias. A partir de então, a coroa das Ilhas de Ferro passou a ser feita de ferro negro e a ser passada de pai para filho. Urron Mão-Vermelha e os seus herdeiros intitulavam-se Reis das Ilhas de Ferro e não toleravam mais nenhum rei, pelo que deixaram de existir reis de sal e reis de rocha.

O controlo da Casa Greyiron nas Ilhas de Ferro não foi incontestado. Meia dúzia de rebeliões foi feita, bem como duas grandes rebeliões de servos. Para além disso, o Rei Garth VII, da Campina, expulsou os homens de ferro das Ilhas Nevoentas, rebatizando-as como Ilhas Escudo. Quando os ândalos chegaram a Westeros, depressa se envolveram em conflito com os nascidos do ferro. Os ândalos caíram sobre as ilhas, aliando-se a fações dos próprios habitantes. Casaram-se com algumas antigas famílias e contribuíram para a extinção de outras. A Casa Greyiron foi uma das que desapareceu, quando o último Rei de Ferro, Rognar II, foi derrubado pelos Orkwood, pelos Drumm, pelos Hoare e pelos Greyjoy.

Como os vencedores não conseguiam decidir quem deveria ser o próximo rei, decidiram dançar a dança dos dedos, um jogo popular entre os nascidos no ferro, durante o qual os jogadores atiram um machado uns aos outros e tentam apanhá-lo em pleno ar. O vencedor foi Harras Hoare, que perdeu dois dedos para alcançar a vitória. Governou as Ilhas de Ferro durante trinta anos e ficou conhecido como Harras Mão-de-Cotos.

Harras Mão-de-Cotos
Harras Mão-de-Cotos

Os Hoare eram vistos pelos sacerdotes como falsos reis, pois tinham sangue ândalo (que diziam ser negro) e os verdadeiros nascidos no ferro tinham água salgada nas veias; por isso, tinham de ser derrubados. Muitos tentaram cumprir esta missão, mas sem sucesso. De facto, foi durante o reinado dos Hoare que a fé dos Sete chegou às Ilhas de Ferro, pois essa era a Fé das suas rainhas ândalas. O primeiro septo foi construído em Grande Wyk e o segundo em Velha Wyk, onde em tempos se tinham realizado as Assembleias de Homens Livres. Após a edificação deste último, os sacerdotes incentivaram a população a revoltar-se: o septo foi queimado, o septão morto e os fiéis levados para o mar para se afogarem e, assim, recuperarem a fé. Foi nesta altura que o rei Hoare começou a massacrar sacerdotes. Muitos foram os reis Hoare que dominaram as Ilhas de Ferro até à morte de Harren, o Negro, em Harrenhal, quando Aegon, o Conquistador, e as suas irmãs conquistaram os Sete Reinos.

 

Os Greyjoy de Pyke

Depois da morte de Harren, o Negro, as Ilhas de Ferro ficaram sem rei e no caos. A partir de então, começaram a surgir muitos candidatos ao trono. O primeiro foi Qhorin Volmark, que se dizia herdeiro da “linhagem negra” dos Hoare. Depois, os sacerdotes reuniram-se e coroaram um dos seus, um homem chamado Lodos, que dizia ser o filho vivo do Deus Afogado. Muitos outros pretendentes foram surgindo, o que levou a guerras que duraram mais de um ano. Os Conflitos só terminaram em 2 DC, quando Aegon, o Conquistador, chegou a Grande Wyk. O próprio Aegon matou Volmark, Lodos encheu as vestes de pedras quando as suas preces não foram atendidas e entrou no mar para “se aconselhar” junto do pai e foram muitos os que o seguiram. Os restantes candidatos acabaram por vergar o joelho perante a Casa Targaryen.

Mesmo depois de os nascidos no ferro se submeterem aos Targaryen, continuava a haver um problema: quem os iria governar? Muitas sugestões foram feitas a Aegon: que tornasse os nascidos no ferro vassalos dos Tully de Correrrio; que as ilhas fossem dadas a Rochedo Casterly; ou que queimasse as ilhas com fogo de dragão, para acabar com o “flagelo dos nascidos no ferro”. Aegon decidiu deixar os senhores das Ilhas de Ferro escolher o seu senhor supremo. Acabaram por escolher um dos seus: Vickon Greyjoy, descendente do Rei Cinzento.

Armas da Casa Greyjoy: a Lula Gigante
Armas da Casa Greyjoy: a Lula Gigante

Vickon Greyjoy foi um governante severo mas cauteloso. Não proibiu os saques, mas ordenou que fossem feitos bem longe das costas de Westeros, para não enfurecer o Trono de Ferro. Permitiu que os septões regressasse às Ilhas de Ferro para espalhar a Fé dos Sete, uma vez que era essa a Fé de Aegon, o que provocou a ira dos sacerdotes do Deus Afogado. Vickon ensinou ao filho Goren que era um homem de Aegon e que nenhum homem inteligente se atreveria a fazer frente ao rei e aos seus dragões. Quando Goren sucedeu ao pai, teve de lidar com uma conspiração do filho de Qhorin Volmark e, mais tarde, com um suposto regressado sacerdote Lodos, que teria regressado da visita ao pai. Goren enviou a cabeça do rei-sacerdote a Aenys I Targaryen, o novo rei dos Sete Reinos, tendo o rei decidido compensá-lo. Como recompensa, o filho de Vickon Greyjoy pediu autorização para expulsar os septões e as septãs das Ilhas de Ferro – foi preciso um século para que um septo fosse novamente aberto nas ilhas.

A vida continuou a ser dura nas Ilhas de Ferro. As ideias de conquista foram postas de parte e os nascidos no ferro passaram a viver da pesca, do comércio e da mineração. Alguns homens ainda ansiavam pelo regresso ao Costume Antigo, quando os nascidos no ferro eram temidos, mas os Greyjoy proibiram saques perto de casa.

 

A Rebelião de Balon

Muitos foram os Greyjoy a ocupar a Cadeira de Pedra do Mar desde a conquista de Aegon. Durante a rebelião de Robert, era Quellon Greyjoy o senhor das Ilhas de Ferro, visto como o homem mais sábio a ter alguma vez ocupado a Cadeira de Pedra do Mar desde a conquista. A participação dos nascidos no ferro na rebelião de Robert teve pouco ou nenhum impacto no desfecho da guerra – na verdade, Quellon só se juntou à guerra depois de ter recebido a notícia de que Rhaegar Targaryen tinha morrido, esperando ainda ir a tempo de receber uma parte dos despojos da vitória. Após terem incendiado algumas aldeias e saqueado pequenas vilas, os nascidos no ferro encontraram resistência por parte dos habitantes das Ilhas Escudo. Quellon Greyjoy contou-se entre os mortos deste confronto.

Balon Greyjoy, o herdeiro mais velho de Quellon, decidiu regressar a casa e reclamar a Cadeira de Pedra do Mar, tornando-se no novo senhor das Ilhas de Ferro. Em muitos aspetos, Balon era como o pai, mas enquanto o Lorde Quellon passou o seu reinado a evitar a guerra, Balon preparou-se para ela desde o início. Durante cinco anos, o Lorde Balon preparou-se para lutar pela coroa pela qual ansiava, construindo uma grande frota de gigantescos navios, reforçando a Frota de Ferro. Em 289 DC, Balon Greyjoy começou a sua rebelião, mas o Rei Robert depressa se pôs em movimento para acabar com o problema. A rebelião de Balon durou menos de um ano.

Quando Balon foi colocado perante Robert, não deixou de ser desafiador. Disse que não era um traitor, pois nenhum Greyjoy tinha dobrado o joelho a um Baratheon. Robert deu-lhe a possibilidade de lhe prestar juramento e Balon assim fez. Foi-lhe poupada a vida, mas teve de entregar o único filho sobrevivente, Theon, como refém.

Balon Greyjoy ajoelha-se perante Robert Baratheon e Ned Stark
Balon Greyjoy ajoelha-se perante Robert Baratheon e Ned Stark

O texto que se segue pode conter spoilers sobre a sexta temporada de Game of Thrones.

 

Depois da Rebelião

Balon continuou a ser senhor das Ilhas de Ferro depois da rebelião falhada. Mais tarde, voltou a declarar-se rei das Ilhas de Ferro durante a Guerra dos Cinco Réis. Nos livros, Balon morre em 299 DC, depois de uma queda aparentemente acidental de uma ponte, durante uma tempestade. Após a sua morte, eram muitos os candidatos a ocupar a Cadeira de Pedra do Mar, pelo que se convocou uma Assembleia de Homens Livres pela primeira vez desde a conquista de Aegon. Entre os pretendentes contavam-se Asha Greyjoy (Yara na série), filha de Balon, bem como Euron e Victarion, irmãos de Balon. Como resultado da Assembleia convocada por Aeron Cabelo-Molhado (outro irmão de Balon, sacerdote do Deus Afogado), Euron Greyjoy foi escolhido como o sucessor do irmão mais velho.

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Pilou Asbæk irá interpretar Euron Greyjoy na sexta temporada de Game of Thrones

O arco das Ilhas de Ferro foi deixado de fora da série até agora mas parece que tal vai mudar, a julgar pelas imagens que vimos no trailer da sexta temporada de Game of Thrones. De facto, o trailer pode dar-nos pistas sobre a verdade por detrás da morte de Balon. Nos livros, Euron Greyjoy chega às Ilhas de Ferro poucos dias após a morte de Balon, o que, para alguns, é bastante suspeito. Mesmo tendo sido levantas suspeitas sobre Euron, nada pôde ser provado, uma vez que o irmão de Balon ainda não tinha chegado a Pyke. No entanto, a sexta temporada de GoT pode vir mesmo a mostrar que Euron é o responsável pela morte de Balon. Vejamos: Balon morre ao cair de uma ponte durante uma tempestade; no trailer, vemos Euron junto de uma ponte… durante uma tempestade.

Linhagem Greyjoy (carrega na imagem para ampliar)
Linhagem Greyjoy (carrega na imagem para ampliar)

Teremos de esperar pela sexta temporada para esclarecermos as nossas suspeitas. A sexta temporada estreia hoje no Syfy Portugal.

Fontes:

O Mundo de A Guerra dos Tronos, O Festim dos Corvos e O Mar de Ferro, de George R. R. Martin


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About Lyanna

Nascida nos reinos gelados do Norte, Lyanna esconde muitos mistérios. O que não é segredo é a sua paixão pelo mundo de Gelo e Fogo, que gosta de partilhar com todos à sua volta.