Os mistérios que cercam a Torre da Alegria

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A Torre da Alegria é provavelmente a torre mais famosa de Westeros junto dos fãs de As Crónicas de Gelo e Fogo. É a partir dos eventos que lá aconteceram que se criaram as mais debatidas e adoradas teorias sobre o que aconteceu nos tempos à priori dos eventos narrados a partir de A Guerra dos Tronos.

Iremos explorar as histórias que cercam esta torre, uma vez que esses eventos vão ser agora abordados na sexta temporada da série.

Assuntos abordados neste artigo:

  • Onde se localiza a Torre da Alegria
  • Os acontecimentos que se dão na Torre que a tornam importante para os eventos de As Crónicas de Gelo e Fogo
  • A paternidade de Jon Snow
  • A teoria R+L=J

Este artigo aborda teorias já conhecidas de As Crónicas de Gelo e Fogo, passagens de As Crónicas de Gelo e Fogo e contém possíveis spoilers da sexta temporada de Game of Thrones

| Uma história com cheiro de rosas e sangue

A Torre da Alegria era uma torre redonda situada no sul de Westeros, perto das Montanhas Vermelhas em Dorne. Localizava-se junto ao Passo do Príncipe, a norte de Tumbarreal.

Rhaegar e Lyanna.

Foi lá que Rhaegar Targaryen, filho primogénito do Rei Aerys II, escondeu Lyanna Stark. O (suposto) rapto de Lyanna foi uma das causas que levou à Rebelião de Robert Baratheon. No final da rebelião, Lyanna ficou na torre enquanto Rhaegar partiu para a guerra, para liderar o exército do pai contra as forças de Robert. No final da guerra, já Rhaegar tinha sido derrotado por Robert na Batalha do Tridente, Eddard Stark chegou à torre e encontrou a irmã prestes a morrer. Com Eddard vinha também Howland Reed, o Lorde Willam Dustin, Ethan Glover, Martyn Cassel, Theo Wull e Sor Mark Ryswell. A proteger Lyanna estavam três membros da Guarda Real: Sor Arthur Dayne [também conhecido como Espada da Manhã], Sor Oswell Whent e o Senhor Comandante Gerold Hightower.

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Sonhou um sonho antigo, sobre três cavaleiros de manto branco, uma torre há muito caída e Lyanna na sua cama de sangue.
No sonho, os amigos cavalgavam com ele, como o tinham feito em vida. O orgulhoso Martyn Cassel, pai de Jory; o fiel Theo Will; Ethan Glover, que fora escudeiro de Brandon; Sor Mark Ryswell, de fala mansa e coração gentil; o cranogmano, Howland Reed; Lorde Dustin, no seu grande garanhão vermelho. Ned conhecera tão bem o rosto de cada um deles como conhecia o seu, mas os anos sugam as memórias de um homem, mesmo aquelas que ele jurou nunca esque­cer. No sonho, eram apenas sombras, espectros cinzentos montados em cavalos feitos de névoa.
Eram sete, enfrentando três. No sonho, tal como acontecera na vida. Mas aqueles três não eram homens comuns. Esperavam defronte da torre redonda, com as montanhas vermelhas de Dorne às suas costas e os mantos brancos ondulando ao vento. E esses três vultos não eram som­bras; os seus rostos eram claros como brasas, mesmo agora. Sor Arthur Dayne, a Espada da Manhã, tinha um sorriso triste nos lábios. O cabo da grande espada chamada Alvorada espreitava-o por sobre o ombro direito. Sor Oswell Whent apoiava-se no joelho, afiando sua lâmina com uma pedra de polir. O morcego negro de sua Casa estendia as asas sobre o elmo esmaltado de branco. Entre os dois, erguia-se o velho e feroz Sor Gerold Hightower, o Touro Branco, Senhor Comandante da Guarda Real.
– Procurei-os no Tridente – disse-lhes Ned.
– Não estávamos lá – respondeu Sor Gerold.
– Seria uma aflição para o Usurpador se tivéssemos estado – continuou Sor Oswell.
– Quando Porto Real caiu, Sor Jaime matou o vosso rei com uma espada douradae eu pergunto-me onde estariam.
– Longe – disse Sor Gerold -, caso contrário, Aerys ainda possuiria o Trono de Ferro e o nosso falso irmão estaria a arder nos sete infernos.
– Eu vim a Ponta Tempestade para levantar o cerco – disse-lhes Ned -, e os senhores Tyrell e Redwyne baixaram os estandartes e todos os seus cavaleiros dobraram os joelhos para nos jurar fidelidade. Tinha a certeza de que os encontraria entre eles.
– Os nossos joelhos não se dobram facilmente – disse Sor Arthur Dayne.
– Sor Willem Darry fugiu para Pedra do Dragão, com a sua rainha e o Príncipe Viserys. Pen­sei que pudessem ter velejado com ele.
– Sor Willem é um homem bom e leal – disse Sor Oswell.
– Mas não pertence à Guarda Real – fez notar Sor Gerold. – A Guarda Real não foge.
– Nem ontem, nem hoje – confirmou Sor Arthur, e preparou o elmo.
– Fizemos um juramento – explicou o velho Sor Gerold.
Os espetros de Ned puseram-se ao seu lado, com espadas fantasmagóricas nas mãos. Eram sete contra três.
– E hoje começa – disse Sor Arthur Dayne, a Espada da Manhã. Desembainhou Alvorada e segurou-a com ambas as mãos. A lâmina era pálida como vidro leitoso, viva de luz.
– Não – disse Ned com tristeza na voz. – Hoje termina – no momento em que eles atacaram juntos numa confusão de aço e sombras, pôde ouvir Lyanna gritar.
– Eddard! – chamou ela. Uma tempestade de pétalas de rosa soprou através de um céu ris­cado de sangue, azul como os olhos da morte.
– Lorde Eddard – Lyanna chamou de novo.
– Prometo – sussurrou ele. – Lya, prometo…

Dizia-se que Rhaegar chamara àquele lugar Torre da Alegria, mas para Ned era uma memória amarga. Tinham sido sete contra três, mas só dois sobreviveram: o próprio Eddard Stark e o pequeno cranogmano, Howland Reed.

Eddard Stark | A Guerra dos Tronos

É a partir deste sonho de Eddard que se crê que Eddard travou um duelo contra Arthur Dayne enquanto os seus companheiros lutavam contra os restantes membros da Guarda Real. No entanto, não se sabe ao certo o que aconteceu naquele local. Sabe-se que Arthur Dayne morreu ali mas a causa da sua morte também é desconhecida. Sabe-se também que entre os homens ali presentes só Eddard Stark e Howland Reed sobreviveram, mas não deixa de ser curioso que Ned não guardea nenhuma marca (física) daquela batalha. Um aspecto interessante que se retira daqui é que os três melhores membros da Guarda Real não se encontravam a proteger a família real principal para proteger Lyanna e nem marcaram presença na Batalha do Tridente ou seque no Saque a Porto Real.

Partimos agora para o que aconteceu depois da batalha junto à Torre da Alegria. Eddard encontrou Lyanna já no seu leito de morte onde ela lhe suplicou que lhe prometesse alguma coisa. Ned assim assentiu e a irmã faleceu no local.

 

Lyanna tinha apenas dezasseis anos, uma menina-mulher de inigualável encanto. Ned amara-a de todo o coração. Robert amara-a ainda mais. Ela estava destinada a ser sua noiva.
– Era mais bela que isto – disse o rei após um silêncio. Os seus olhos demoravam-se no rosto de Lyanna, como se pudesse trazê-la de volta à vida por um esforço de vontade. Por fim, ergueu-se, com o peso a torná-lo desajeitado. – Ah, maldição, Ned, tinhas de enterrá-la num lugar como este? – A sua voz estava enrouquecida com a lembrança do desgosto.

– Ela merecia mais que trevas…
-Ela era uma Stark de Winterfell – disse Ned calmamente. – Este é o seu lugar.

-Podia estar algures numa colina, sob uma árvore de fruto, com o Sol e as nuvens acima dela e a chuva para a lavar.

-Eu estava com ela quando morreu – lembrou Ned ao rei. – Queria regressar a casa para descansar ao lado de Brandon e do Pai – Por vezes ainda conseguia ouvi-la. Promete-me, suplicara, num quarto que cheirava a sangue e a rosas. Promete-me, Ned. A febre levara-lhe as forças e a voz era ténue como um suspiro, mas quando ele lhe dera a sua palavra, o medo saíra dos olhos da irmã. Ned recordava o modo como ela então sorrira, a força com que os seus dedos agarravam os dele quando ela desistira de se agarrar à vida, as pétalas de rosa que se derramaram de sua mão, mortas e negras. Depois daquilo, não se lembrava de mais nada. Tinham-no encontrado ainda abraçado ao seu corpo, silenciado pela dor. O pequeno cranogmano, Howland Reed, retirara a mão dela da dele. Ned nada recordava.

– Trago-lhe flores sempre que posso – disse. – Lyanna era… amiga das flores.

O rei tocou o rosto da estátua, roçando os dedos na pedra áspera tão suavemente como se fosse carne viva.

Eddard Stark | A Guerra dos Tronos

Eddard enterrou os mortos usando pedras da torre e levou o corpo da sua irmã Lyanna para o Norte onde ela repousa nas Criptas de Winterfell, junto do seu irmão Brandon e do seu pai, Rickard Stark. Mas antes de partir para o Norte, Eddard Stark deslocou-se ainda até à Casa Dayne de Tombastela onde foi levar a Alvorada, a espada de Sor Arthur Dayne.

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| A Promessa de Eddard Stark a Lyanna Stark | R+L=J

Os eventos decorridos na Torre da Alegria acabam por levar a um dos pontos mais comentados de As Crónicas de Gelo e Fogo, que também acaba por envolver uma das maiores e mais faladas teorias da série.

A harpa de Rhaegar, a rosa azul de Lyanna e o Fantasma, o lobo selvagem de Jon Snow.

A harpa representa Rhaegar (que se deslocava para as ruínas de Solarfestival e tinha por hábito compor músicas tristes), a rosa azul que representa Lyanna (rosa oferecida por Rhaegar no Torneio de Harrenhal) e o lobo de olhos vermelhos é o nosso conhecido Ghost (Fantasma), que representa Jon Snow.

Este é o grande mistério que envolve a Torre da Alegria. A teoria R+L=J defende que Jon Snow é filho de Lyanna Stark e Rhaegar Targaryen, tendo ele nascido entre Gelo e Fogo.

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Eddard com Jon Snow no colo junto ao corpo de Lyanna.

Segundo essa teoria, Eddard quando encontrou Lyanna na torre ela tinha acabado de ter um bebé e estava a morrer (devido a complicações no parto). É então que pede ao irmão que prometa nunca revelar a identidade do bebé para o proteger do ódio que Robert tem pelos Targaryen. Como foi referido acima, Ned chega a passar por Tombastela onde se crê que ele conspirou com Wylla (ama de leite de Edric Dayne) para se fazerem passar por serem os pais do bebé de Lyanna. É então que Ned regressa ao Norte assumindo o bebé (Jon) como sendo seu filho com Wylla.

Com a confirmação da teoria, Jon Snow torna-se assim o legítimo herdeiro do Trono de Ferro, pois é filho de Rhaegar, que por sua vez era o sucessor de Aerys II, uma vez que os filhos de Rhaegar foram mortos no Saque a Porto Real. No entanto este é um facto que mais tarde também foi posto em questão quando foi levantada a possibilidade de Aegon poder estar vivo. Mas isto não é matéria para este artigo.

| Algumas das Objeções à Teoria

  • A teoria é vista como óbvia por muitos fãs [há quem defenda que é algo que não vai ao encontro daquilo que Martin deseja para os seus livros pois o autor tenciona sempre surpreender (de forma lógica, obviamente) os seus leitores, mas se formos analisar outro tipo de teorias elas tornam-se ainda mais óbvias pois partem de factos muito mais explícitos presentes nos livros];

 

  • É muito romancista [apesar de tudo parecer muito romântico não sabemos o que realmente motivou as acções de Rhaegar, que já vêm desde o Torneio de Harrenhal]. Existem boas razões para sabermos que Rhaegar acreditava que o que ele fazia era necessário, mas certamente podemos questionar a sua sanidade mental, uma vez que ele praticamente levou um reino inteiro para a guerra com base na impressão de que decifrou uma profecia na qual esse alguém tem um papel importante a desempenhar. [*] Mas a sanidade dos Targaryen é algo que temos que ter sempre em conta.

 

[*] Durante o nascimento de Aegon, um cometa vermelho rasgou o céu e a partir daí Rhaegar passou a achar que não era ele mas sim o seu filho Aegon o Príncipe que foi prometido [a profecia foi feita por uma mulher ao Rei Jaehaerys, pai de Aerys II].

–  Aegon – disse ele para uma mulher que amamentava um recém-nascido numa grande cama de madeira. – Que nome é melhor para um rei?

– Fareis uma canção para ele? – perguntou a mulher.

– Ele já tem uma canção. – respondeu o homem. – É o príncipe que foi prometido e é sua a canção de gelo e fogo. – Ergueu o olhar quando disse aquilo e os seus olhos encontraram os de Dany e pareceu que a via ali em pé para além da porta. – Terá de haver mais um – disse, embora Dany não soubesse dizer se ele estaria a falar para ela ou para a mulher na cama. – O dragão tem três cabeças. – Dirigiu-se ao banco de janela, pegou numa harpa e fez correr os dedos com ligeireza sobre as suas cordas prateadas. Uma doce tristeza encheu o quarto enquanto o homem, esposa e bebé se desvaneciam como a neblina da manhã, deixando para trás apenas a música a fim de a apressar.”

Daenerys | O Despertar da Magia

Conforme a citação nos diz, Rhaegar acreditava que precisaria de três filhos, cada um para representar uma das três cabeças do dragão, filhos esses que o iriam ajudar a vencer a guerra pela alvorada. Uma vez que Elia tinha uma saúde muito frágil não poderia voltar a ter filhos, pois corria o risco de morrer. Se realmente Rhaegar acreditava nesta teoria, ele precisaria de uma mulher para ter o seu terceiro filho e foi nesse momento que apareceu Lyanna.


Howland Reed por Sir Heartsalot.
Howland Reed por Sir Heartsalot.

Com a morte de Eddard Stark que aconteceu alguns anos depois (já durante os acontecimentos narrados em A Guerra dos Tronos e A Muralha de Gelo), Howland Reed é agora o único sobrevivente da batalha na Torre da Alegria, fazendo dele a única testemunha viva da promessa que Eddard fez a Lyanna.


| A Torre da Alegria em Game of Thrones [HBO]

Através das visões de Bran Stark [Episódio Oathbreaker S06E03] já tivemos os primeiros vislumbres do que aconteceu na Torre da Alegria. No último episódio da sexta temporada voltamos à mesma visão onde vimos a sua sequência. A teoria acaba por confirmar-se (embora indiretamente) quando vimos Lyanna na sua cama de sangue entregar um bebé nos braços de Ned Stark sendo que a câmara faz a sequência do rosto do bebé para o rosto de Jon Snow, confirmando assim a identidade da sua mãe. Restou apenas deixar claro a paternidade, embora não haja atualmente margem para dúvidas.

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[atualizado a 11/10/2016]


Fontes: A Wiki Of Ice And Fire | O Mundo de A Guerra dos Tronos | As Crónicas de Gelo e Fogo [Volume 1, 2 e 4]


Outras histórias de Gelo e Fogo:

+ Aerys II: O Rei Louco

+ Brynden Rivers: O Corvo de Três Olhos

+ O Torneio de Harrenhal

+ A Rebelião de Robert Baratheon

About Jon

Nascido entre o Gelo e o Fogo, descendente de duas das grandes casas de Westeros, Targaryen e Stark. Um apaixonado por este mundo que nos seus tempos livres dedica-se a fazer aquilo de que mais gosta, descobrir e dar a conhecer mais sobre este mundo.