O torneio de Harrenhal

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O torneio de Harrenhal realizou-se no ano de 281 DC, naquele que também é conhecido como o Ano da Falsa Primavera. Os senhores e cavaleiros de todos os Sete Reinos dirigiram-se a Harrenhal para competir no grande torneio de Lorde Whent, nas margens do Olho de Deus, que prometia ser a maior e mais magnífica competição desde os tempos de Aegon, o Improvável.

Muitas foram as histórias que se desenvolveram em volta do torneio de Lorde Whent, histórias de planos e conspirações, rebeliões e infidelidades, segredos e mistérios, quase todas compostas de conjecturas. Mas a verdade é conhecida apenas de alguns poucos, e a grande maioria dos que conheceram essas verdades já não se encontram entre os ainda vivos.

O que é conhecido do torneio é que Walter Whent, Senhor de Harrenhal, o anunciou no final do ano 281 DC, depois de uma visita ao seu irmão Sor Oswell Whent, um cavaleiro da Guarda Real. No entanto, a grande maioria tomou o facto de Whent realizar o torneiro como uma tentativa de ultrapassar Tywin Lannister, senhor que sempre foi conhecido pela sua enorme riqueza, e demonstrar a riqueza e esplendor da sua Casa. Houve, contudo, quem acreditasse que isso não passou de um estratagema e que o Lorde Whent não passou de uma ferramenta do Príncipe Rhaegar para retirar o seu pai, Rei Aerys II, do trono.

Tourney
Rhaegar Targaryen nomeia Lyanna Stark como rainha de amor e da beleza.

 

| A Conspiração de Rhaegar Targaryen, Príncipe de Pedra do Dragão [teoria]

Rhaegar Targaryen
Rhaegar Targaryen

Se for possível crer nesta história, Rhaegar Targaryen terá incentivado Lorde Walter a organizar o torneio, usando o irmão de sua senhoria como intermediário. Rhaegar terá fornecido a Whent ouro suficiente para magníficos prémios, afim de levar até Harrenhal o máximo possível de senhores e cavaleiros. O Príncipe, diz-se, não teria qualquer tipo de interesse no torneio em si, a sua intenção era apenas reunir os grandes senhores de Westeros e debater a melhor forma de lidar com a loucura do Rei Aerys II [leia o nosso artigo sobre Aerys II: o Rei Louco].

Na corte do Rei Aerys II reinava um clima estranho com vários elementos a tomar partido. Uns continuavam a apoiar Aerys II, mesmo ele demonstrando sinais de loucura; outros tomavam o partido de Rhaegar, o que levou a que se tenham levantado suspeitas sobre o torneio quando o mesmo foi anunciado. No entanto, e como a popularidade de Aerys II já não estava no seus melhores dias, foi sugerido ao Rei que proibir o torneio só iria piorar a sua popularidade. Aerys II resolveu marcar presença no torneio pois pensou que assim ninguém tentaria conspirar contra si mesmo por baixo do seu nariz, nem o seu próprio filho.

 

| A Presença do Rei Aerys II no Torneio

Aerys II, O Rei Louco
Aerys II, O Rei Louco

O Grande Meistre Picelle referiu que a presença do Rei no torneio iria ajudar Aerys II a recuperar o amor do povo, mas não podia estar mais enganado. Embora a sua presença tornasse o evento ainda mais grandioso e prestigioso do que já era, muitos dos presentes ficaram chocados quando viram o que acontecera ao monarca. As longas unhas amarelas, a barba desordenada e os cordões de cabelo emaranhado e por lavar tornaram clara para todos a extensão da loucura do rei. O seu comportamento também não era o de uma pessoa sã, pois passava do divertimento à melancolia num piscar de olhos. Acima de tudo o rei estava desconfiado, desconfiado do seu filho primogénito, desconfiado de Lorde Whent, desconfiado de todos os senhores e cavaleiros que estavam presentes, mas ainda mais desconfiado dos que estavam ausentes daquele torneio, nomeadamente Tywin Lannister, o Senhor de Rochedo Casterly e Mão do Rei.

 

| A Investidura de Jaime Lannister a Irmão Ajuramentado da Guarda Real

Nikolaj Coster-Waldau como Jaime Lannister em Game of Thrones [HBO]
Nikolaj Coster-Waldau como Jaime Lannister em Game of Thrones [HBO]

Aerys II fez da cerimónia de abertura do torneio o grande espectáculo da investidura de Jaime Lannister  como Irmão Ajuramentado da Guarda Real. O jovem cavaleiro proferiu os seus votos junto da tenda real, ajoelhado na erva verde com a sua armadura branca enquanto todos os presentes no torneio o observavam. Diz-se que, quando a multidão fez soar uma ruidosa e energética aclamação pelo mais recente e mais novo Irmão Ajuramentado da Guarda Real, o rei ficou radiante pois, na sua loucura, ele acreditou que a aclamação era dirigida a si. No entanto, terminada a cerimónia, o Rei começou de imediato a ter dúvidas sobre Jaime. A ideia do Rei ao nomear Jaime para a Guarda Real era humilhar o seu antigo amigo Tywin Lannister, mas depois ele ficara preocupado pois iria ter o filho de Tywin dia e noite junto a si e com uma espada à ilharga. Amedrontado, o Rei ordenou que Jaime fosse de imediato para Porto Real para guardar e proteger a Rainha Rhaella e o Príncipe Viserys, que não tinham acompanhado sua graça até ao torneio. Jaime, sendo ele um jovem cavaleiro que pretendia distinguir-se no torneio, ficou desapontado mas mesmo assim cumpriu o desejo do Rei. O papel de Jaime no torneio terminou naquele momento.

 

 

Durante sete dias, os melhores cavaleiros e os mais nobres senhores dos Sete Reinos enfrentaram-se com lança e espada nos campos à sombra das enormes muralhas de Harrenhal. À noite, vencedores e vencidos, dirigiam-se ao cavernoso Salão das Cem Lareiras para banquetes e festejos. São inúmeras as histórias que se contam, umas verdadeiras outras falsas; contudo, aconteceram dois incidentes que não se podem ignorar, uma vez que viriam a ter graves consequências.

 

| A História do Cavaleiro da Árvore Que Ri. A Loba, o Lobo Selvagem, o Lobo Calado e o Lobinho

O Cavaleiro da Árvore que Ri
O Cavaleiro da Árvore que Ri

O Cavaleiro da Árvore que Ri foi um misterioso cavaleiro que lutou no torneio. O cavaleiro defendeu a honra de Howland Reed ao desafiar e derrotar três cavaleiros cujos escudeiros o tinham intimidado. O nome que lhe foi atribuído veio do facto de que o brasão pintado no seu escudo era uma Árvore Coração com um sorriso.

Através das histórias contadas por Meera Reed a Bran Stark, é nos dito que o cavaleiro misterioso poderia ter sido um cranogmano. O Cavaleiro teria sido abordado pelos três escudeiros que o desarmaram e, enquanto o ridicularizavam, continuaram a feri-lo, pontapeando-o. Quando apareceu Lyanna Stark, a loba, ela aguentou os atacantes, batendo-lhes com uma espada de torneio. A loba levou o Cavaleiro para o seu covil, tratou-lhe das feridas e apresentou-o aos seus irmãos, Brandon Stark, o lobo selvagem, Eddard Stark, o lobo silencioso, e Benjen Stark, o lobinho.

Naquela noite Lyanna convenceu o Cavaleiro a participar no banquete que marcava o inicio do torneio alegando que ele tinha o mesmo direito de estar naquela mesa quanto qualquer outro dos cavaleiros e senhores ali presentes. O cavaleiro acabou por ceder perante a insistência de Lyanna e cedeu ao seu pedido.

 

Benjen Stark, o lobinho, Lyanna Stark, a loba, Eddard Stark, o lobo calado, e Brandon Stark, o lobo selvagem.

Meera também descreveu a Bran o que sabia sobre esse banquete. Na mesa dos Stark, onde o cavaleiro esteve presente, estavam também os senhores de algumas espadas juramentadas aos Stark, nomeadamente membros das Casas Dustin, Hornwood, Mormont e Manderly. No salão estava ainda Rhaegar Targaryen (o Príncipe, inclusive, cantou e tocou uma canção tão triste que fez Lyanna chorar), Robert Baratheon, que fazia uma competição baseada em bebida com Richard Lonmouth, Ashara Dayne, uma companheira de Elia que dançava com vários homens cada um na sua vez – dançou com um membro da Guarda Real, que era o seu irmão Arthur Dayne ou o seu apaixonado Barristan Selmy, dançou com Oberyn Martell,  com Jon Connington e por fim com Eddard Stark, tendo sido Brandon a pedir a mão de Ashara para o irmão dele dançar, uma vez que Ned era muito tímido.

Durante a festa, Lyanna e o cavaleiro reconheceram os três escudeiros que o tinham atacado. Um servia um cavaleiro da Casa Blount, um servia um cavaleiro da Casa Frey e o terceiro servia um cavaleiro da Casa Haigh. Benjen ofereceu-se para fornecer ao Cavaleiro um cavalo e uma armadura para que ele se vingar, mas ele não lhe respondeu.

Knight of the Laughing Tree and the Porcupine Knight
Knight of the Laughing Tree and the Porcupine Knight

Por um lado o seu orgulho apelava para a vingança, mas pelo outro ele tinha medo de perder e fazer um papel ridículo. Antes de ir dormir na tenda de Eddard, o lobo calado ofereceu-lhe hospitalidade, e então ele orou aos deuses antigos.

 

Durante os dois primeiros dias do torneio os cavaleiros das Casas Casas Haigh, Blount e Frey ganharam, cada um deles, um lugar entre os campeões. No final da tarde do segundo dia, um cavaleiro misterioso de baixa estatura apareceu na lista.

A Árvore que Ri

A armadura do cavaleiro era feita a partir de retalhos de outras armaduras e o escudo tinha a imagem de um represeiro branco com um rosto vermelho sorridente. O cavaleiro misterioso desafiou e venceu os três cavaleiros mencionados anteriormente. Nenhum deles era particularmente popular, de modo que o povo aplaudiu o misterioso Cavaleiro da Árvore que Ri. Quando os três derrotados procuraram resgatar os seus pertences, o cavaleiro misterioso declarou os seus termos, que deveriam ensinar a honra aos seus rudes escudeiros. Os três cavaleiros acabaram por castigar os seus escudeiros, de forma violenta.

 

 

 

– Harrenhal! – compreendeu Bran de imediato. – Era Harrenhal!

Meera sorriu.

– Seria? À sombra das suas muralhas viu tendas de muitas cores, brilhantes estandartes adejando ao vento, e cavaleiros vestidos de cotas de malha ou de placas de aço e montados em cavalos couraçados. Sentiu o cheiro de carne a assar, e ouviu o som de risos e os estrondear das trombetas dos arautos. Um grande torneio estava prestes a começar, e tinham vindo campeões de todo o território para o conquistar. O próprio Rei estava presente, com o seu filho, o príncipe dragão. As Espadas Brancas tinham vindo, para receber um novo irmão nas suas fileiras. O senhor da Tempestade andava por lá, bem como  o senhor da rosa. O grande leão do rochedo tinha brigado com o rei e mantivera-se afastado, mas muitos dos seus vassalos e cavaleiros compareceram mesmo assim. O cranogmano nunca vira tamanho aparato, e sabia que podia nunca mais voltar a ver coisa igual. Parte de si nada mais desejava do que fazer parte daquilo.

Bran conhecia bastante bem essa sensação. Quando era pequeno, só sonhava em ser um cavaleiro. Mas isso fora antes de cair e perder as pernas.

– A filha do grande castelo reinava como rainha do amor e da beleza quando o torneio começou. Cinco campeões tinham jurado defender a sua coroa; os seus quatro irmãos de Harrenhal, e o seu tio famoso, um cavaleiro branco da Guarda Real.

– Era uma donzela bela?

– Era – disse Meera, saltando sobre uma pedra. – mas havia outras ainda mais belas. Uma era a esposa do príncipe dragão, que trouxera uma dúzia de damas de companhia para a servir. Todos os cavaleiros lhes suplicavam favores para atar em volta das suas lanças.

– Isto não vai ser uma daquelas histórias de amor, pois não? – perguntou Bran, desconfiado. – O Hodor não gosta lá muito dessas histórias.

– Hodor. – disse Hodor, concordando.

– Ele gosta das histórias onde os cavaleiros lutam com monstros.

– Às vezes os monstros são os cavaleiros, Bran. O pequeno cranogmano caminhava pelo campo, desfrutando do dia quente de Primavera e sem fazer mal a ninguém, quando foi atacado por três escudeiros. Nenhum deles tinha mais de quinze anos, mas mesmo assim eram maiores do que ele, todos os três. Como viam as coisas, aquele mundo era deles, e o cranogmano não tinha o direito de lá estar. Roubaram-lhe a lança e atiraram-no ao chão, chamando-lhe papa-rãs.

– Eram Walders? – Parecia algo que o pequeno Walder Frey poderia ter feito.

– Nenhum deles disse o nome, mas guardou bem as suas caras na memória para que se pudesse vingar mais tarde. Derrubaram-nno de cada vez que se tentou levantar, e pontapearam-no quando se enrolou sobre si próprio no chão. Mas então ouviram um rugido. “Esse que pontapeais é vassalo do meu pai”, uivou a loba.

– Uma loba com quatro patas, ou com duas?

– Duas – disse Meera. – A loba meteu-se no meio dos escudeiros com uma espada de torneio, fazendo-os debandar. O cranogmano estava magoado e ensanguentado, por isso ela levou-o para a sua toca para limpar as feridas, e ligá-las com linho. Aí, ele conheceu os irmãos de matilha dela: o lobo selvagem que os liderava, o lobo calado a seu lado e o lobito que era o mais novo dos quatro.

»Nessa noite devia haver um banquete em Harrenhal, para assinalar a abertura do torneio, e a loba inssitiu em que o rapaz comparecesse. Ele era de elevado nascimento, com tanto direito a um lugar no banco como qualquer outro homem. Não era fácil contrariar aquela donzela-lobo, e assim ele deixou que o jovem lobito lhe arranja-se um traje adequado a um banquete real e dirigiu-se ao grande castelo.

» Comeu e bebeu sob o tecto de Harren, com os lobos e também com muitas das espadas a eles ajuramentadas, homens das terras acidentadas, e também alces, ursos e tritões. O príncipe dragão cantou uma canção tão triste que fez a donzela-lobo fungar, mas quando o seu irmão lobito a arreliou por chorar, ela derramou-lhe vinho pela cabeça abaixo. Um irmão negro interveio, pedindo aos cavaleiros para se juntarem à Patrulha da Noite. O Senhor da Tempestade derrotou o cavaleiro dos crânios e beijos numa batalha de copos de vinho. O cranogmano viu uma donzela com sorridentes olhos purpura a dançar com uma espada branca, uma serpente vermelha e o senhor dos grifos e por fim com o lobo silencioso… mas só depois de o lobo selvagem falar com ela em nome de um irmão tímido de mais para sair do seu banco.

» No meio de toda aquela alegria, o pequeno cranogmano vislumbrou os três escudeiros que o tinham atacado. Um servia um cavaleiro forquilha, outro um porco-espinho, enquanto o terceiro cuidava das necessidades de um cavaleiro com duas torres no sobretudo, um símbolo que todos os cranogmanos conhecem bem.

– Os Frey – disse Bran. – OS Frey da Travessia.

– Então, tal como agora – concordou ela. – A donzela-lobo também os viu e indicou-os aos irmãos. “Podia arranjar-vos um cavalo e uma armadura que talvez servisse”, ofereceu o lobito. O pequeno cranogmano agradeceu-lhe, mas não respondeu. Tinha o coração dividido. Os cranogmanos são mais pequenos do que a maior parte dos homens, mas igualmente orgulhosos. O rapaz não era cavaleiro, nenhum dos seus o era. Nós sentamo-nos mais frequentemente num barco do que num cavalo, e as nossas mãos são feitas para remos, não para lanças. Por mais que desejasse obter a sua vingança, temia não fazer mais do que uma figura triste, envergonhando o seu povo. O lobo silencioso oferecera ao pequeno cranogmano um lugar na sua tenda naquela noite, mas este antes de dormir ajoelhou-se na margem do lago, olhando por sobre a aágua para onde a Ilha das Caras deveria estar, e proferiu uma prece aos deuses antigos do Norte e do Gargalo…

– O vosso pai nunca vos contou esta história? – perguntou Jojen.

– Era a Velha Ama quem contava histórias. Meera, continua, não podes parar aí.

Hodor devia sentir o mesmo.

– Hodor. – dissem e depois: – Hodor Hodor Hodor Hodor.

– Bem . disse Meera. – se queres ouvir o resto…

– Sim. Conta.

– Estavam planeados cinco dias de justas – disse ela. – Também havia uma grande luta corpo a corpo entre sete equipas, e torneios de tiro ao alvo e arremesso de machados, uma corrida de cavalos e um torneio de cantores…

– Isso tudo não interessa. – Bran contorceu-se impacientemente no cinto às contas de Hodor. – Conta o que aconteceu nas justas.

– Às ordens do meu príncipe. A filha do castelo era a rainha do amor e da beleza, com quatro irmãos e um tio para defender, mas todos os quatro filhos de Harrenhal foram derrotados no primeiro dia. Os vencedores tiveram breves reinados como campeões, até serem por sua vez derrotados. Aconteceu que ao fim do primeiro dia o cavaleiro do porco-espinho conquistou um lugar entre os campeões, e na manhã do segundo dia o cavaleiro da forquilha e o cavaleiro das duas torres também saíram vitoriosos. Mas ao fim da tarde desse segundo dia, quando as sombras se tornavam longas, um misterioso cavaleiro surgiu na liça.

Bran assentiu com a cabeça, com ar sabedor. Cavaleiros misteriosos apareciam frequentemente nos torneios, com elmos que escondiam os seus rostos, e escudos ora vazios ora ostentando um símbolo estranho qualquer. Por vezes eram campeões famosos sob disfarce. O Cavaleiro do Dragão ganhara uma vez um torneio como o Cavaleiro das Lágrimas, para poder nomear a irmã rainha do amor e da beleza no lugar da amante do rei. E Barristan, o Ousado, vestira por duas vezes uma armadura de cavaleiro misterioso, a primeira quando tinha apenas dez anos.

– Aposto que era o pequeno cranogmano.

– Ninguém sabia – disse Meera – mas o cavaleiro misterioso era de baixa estatura, e usava uma armadura que lhe servia mal, feita de bocados avulsos. O símbolo que trazia no ecudo era uma árvore-coração dos velho deuses, um represeiro branco com uma cara vermelha a rir.

– Talvez tenha vindo da Ilha das Caras – disse Bran. – Era verde? – Nas Histórias da Velha Ama, os guardiões tinham uma pela verde-escura e folhas no lugar dos cabelos. Por vezes também tinham hastes, mas Bran não via como o cavaleiro misterioso poderia ter usado um elmo se tivesse hastes. – Aposto que foram os deuses antigos que o enviaram.

– Talvez tenham sido. O cavaleiro misterioso saudou  o rei com a sua lança e dirigiu-se para o fim da liça, onde os cinco campeões tinham os seus pavilhões. Sabes quais foram os três que ele desafiou.

– O cavaleiro do porco-espinho, o cavaleiro da forquilha e o cavaleiro das torres gémeas. – Bran ouvira suficiente histórias para saber isso. – Era o pequeno cranogmano, eu bem te disse.

 – Fosse quem fosse, os deuses antigos deram força ao seu braço. O cavaleiro do porco-espinho foi o primeiro a cair, seguiu-se-lhe e da forquilha e por fim o das duas torres. Nenhum deles era apreciado, por isso os plebeus aplaudiram vigorosamente o Cavaleiro da Árvore que Ri, nome pelo qual o novo campeão rapidamente passou a ser conhecido. Quando os seus adversários caídos procuraram resgatar cavalos e armaduras, o Cavaleiro da Árvore que Ri falou num tom trovejante através do elmo, dizendo “Ensinai honra aos vossos escudeiros, isso será resgate bastante.” Depois de os cavaleiros derrotados terem punido severamente os escudeiros, os cavalos e armaduras foram-lhes restituídos. E assim, as preces do pequeno cranogmano foram atendidas… pelos homens verdes, pelos deuses antigos, ou pelos filhos da floresta, quem saberá?

Era uma boa história, decidiu Bran depois de pensar nela por um momento ou dois.

– O que aconteceu depois? O Cavaleiro da Árvore que Ri ganhou o torneio e casou com uma princesa?

– Não – disse Meera. – Nessa noite, no grande castelo, tanto o senhor da Tempestade como o cavaleiro dos crânios e dos beijos juraram que o iriam desmascarar, e o próprio rei exortou os homens a desafiá-lo, declarando que o rosto por detrás do elmo não era seu amigo. Mas na manhã seguinte, quando os arautos sopraram as suas trombetas e o rei ocupou o seu lugar, só dois campeões apareceram. O Cavaleiro da Árvore que Ri tinha desaparecido. O rei ficou furioso, e até mandou o filho, o príncipe dragão, procurar o homem, mas tudo o que encontraram foi o seu escudo pintado, pendendo abandonado de uma árvore. No fim, foi o principe dragão que ganhou o torneio.

– Oh. – Bran reflectiu um pouco acerca da história. – Foi uma boa história. Mas deviam ter sido os três cavaleiros maus a magoá-lo, não os seus escudeiros. Então, o pequeno cranogmano podê-los-ia ter matado aos três. A parte dos resgates é estúpida. E o cavaleiro misterioso devia ganhar o torneio, derrotando todos os que o desafiassem, e nomear a donzela-lobo rainha do amor e da beleza.

– Ela foi nomeada – disse Meera – mas essa é uma história mais triste.

– Tendes a certeza de que nunca ouvistes antes esta história, Bran? – perguntou Jojen. – O senhor vosso pai nunca vo-la contou?

Bran | A Tormenta de Espadas | George R.R. Martin

| Os Combates do Torneio

Os combates do torneio duraram ao longo de cinco dias.

– Combatentes desconhecidos derrotaram 4 filhos de Lorde Whent
– O Cavaleiro Da Árvore Que Ri derrotou um membro da Casa Haigh
– O Cavaleiro Da Árvore Que Ri derrotou um membro da Casa Blount
– O Cavaleiro Da Árvore Que Ri derrotou um membro da Casa Frey
– O Príncipe Rhaegar Targaryen derrotou o Lorde Yohn Royce
– O Príncipe Rhaegar Targaryen derrotou Brandon Stark
– O Príncipe Rhaegar Targaryen derrotou Sor Arthur Dayne
– O Príncipe Rhaegar Targaryen derrotou Sor Barristan Selmy

| O Vencedor do Torneio

O Príncipe Rhaegar emergiu como vencedor final, no final da competição. Apesar de normalmente nunca competir em torneios, surpreendeu toda a gente e envergou a sua armadura. Derrotou todos os adversários que o enfrentaram, incluindo quatro Cavaleiros da Guarda Real. Na justa final, derrubou Sor Barristan Selmy, geralmente visto como o melhor cavaleiro lanceiro de todos os Sete Reinos. O Rei não se juntou à multidão na hora de aclamar o Príncipe, pois sua graça continuou a ver o filho como uma ameaça. Os Lordes Chelsted e Staunton inflamaram ainda mais as suspeitas do Rei ao declarar que Rhaegar entrara na liça apenas para captar as boas graças dos plebeus e que era um herdeiro digno de Aegon, o Conquistador.

|Lyanna Stark, a Rainha do Amor e da Beleza

Rhaegar declarou Lyanna Stark como Rainha do Amor e da Beleza, pondo-lhe uma grinalda de rosas azuis no regaço com a ponta da lança

Quando foi declarado campeão, o Príncipe Rhaegar declarou Lyanna Stark como Rainha do Amor e da Beleza, pondo-lhe uma grinalda de rosas azuis no regaço com a ponta da lança. Mais uma vez os lambe-botas reunidos em volta do rei declararam que aquilo era mais uma prova da perfídia do Príncipe. Foi um ato que gerou muitos escândalos, não só porque Rhaegar era casado com Elia Martell, como também porque Lyanna já estava noiva de Robert Baratheon. Symond Stauton sugeriu ao rei que a coroação da rapariga Stark só serviu para Rhaegar obter o apoio de Winterfell para a sua causa. No entanto, a ser verdade, eram incompreendidas as atitudes que os irmãos de Lyanna tiveram após tal ato. Brandon teve de ser impedido de atacar Rhaegar após aquilo que tomara como um insulto à irmã, Eddard estava mais calmo, porém não mais contente. Quanto a Robert, as opiniões são variadas, uns dizem que Rhaegar fez aquilo que devia ter feito pois não dera a Lyanna mais do que aquilo que lhe era devido, porém também há quem diga que ele ficou a matutar no insulto e que desse dia em diante o seu coração endureceu para com o Príncipe.

Lyanna Stark por Diana K.Martins
Lyanna Stark por Diana K.Martins

O ato do Príncipe Rhaegar culminou no sequestro de Lyanna que veio a acontecer um ano depois, o que foi o ponto de partida para a Rebelião de Robert e para o fim do reinado dos Targaryen.


Fontes: O Mundo de A Guerra dos Tronos | A tormenta de Espadas | A Wiki Of Ice And Fire | A Wiki de Game Of Thrones | Game Of Thrones BR | Game Of Thrones BR Wiki


Outras histórias de Gelo e Fogo:

+ Aerys II: O Rei Louco

+ Brynden Rivers: O Corvo de Três Olhos

About Jon

Nascido entre o Gelo e o Fogo, descendente de duas das grandes casas de Westeros, Targaryen e Stark. Um apaixonado por este mundo que nos seus tempos livres dedica-se a fazer aquilo de que mais gosta, descobrir e dar a conhecer mais sobre este mundo.