A História da Muralha

Brandon Stark, também conhecido como Brandon/Bran o Construtor, foi o fundador da Casa Stark. É mencionado que viveu durante a Era dos Heróis e segundos rezam as lendas foi ele que construiu Winterfell e a Muralha. Portanto, para podermos aprofundar na história desta emblemática construção é pelo passado da Casa Stark que temos que começar a explorar.

  • Brandon Stark

Brandon Stark, também conhecido como Brandon (Bran) o Construtor, foi o lendário fundador da Casa Stark. Diz-se que viveu durante a Era dos Heróis e segundo as lendas foi ele o responsável pela construção de Winterfell e da Muralha. Também há quem diga que Brandon ajudou Durran a construir o castelo de Ponta Tempestade.

Ninguém pode dizer com certezas se Brandon o Construtor realmente existiu. Ele é [de um tempo] tão remoto, tal como o tempo dos romances como Noah e Gilgamesh são do nosso próprio tempo.

George R.R. Martin | So Speak Martin – The Wall

  • A Muralha

Conhecida como A Muralha, esta obra é nada mais nada menos do que uma extensa muralha com mais de duzentos metros de altura e quinhentos quilómetros de comprimento. Ela dispõe-se em linha reta desde Atalaileste-do-Mar até Castelo Negro e segue “às curvas” desde Castelo Negro até Torre Sombria. Esta obra situa-se na fronteira norte dos Sete Reinos, separando Westeros das Terras para lá da Muralha. É considerada uma das nove Maravilhas Construídas pelo Homem. Dependendo do tempo que se faça sentir e da hora do dia, ela aparente uma cor cinza ou azul.

Devia ser eu. Bran ergueu a cabeça para ver a Muralha e imaginou-se a trepar centímetro a centímetro, enfiando os dedos em fendas no gelo e abrindo apoios para os pés ao pontapé. A ideia fê-lo sorrir, apesar de tudo, dos sonhos, dos selvagens, de Jon e de tudo. Trepara as Muralhas de Winterfell quando era pequeno, e todas as torres também, mas nenhuma fora tão alta e eram apenas de pedra. A Muralha podia parecer pedra, toda cinza e esburacada, mas depois as nuvens abriam-se, o Sol brilhava sobre ela de uma forma diferente, e de repente transformava-se e ali surgia, branca, azul, e cintilante. Era o fim do mundo, dizia sempre a Velha Ama. Do outro lado havia monstros, gigantes e vampiros, mas não podiam passar enquanto a Muralha se mantivesse em pé. Quero ir lá cima com a Meera, pensou Bran. Quero ir lá acima e ver.

Bran | A Glória dos Traidores

Além de gelo e pedra, alguns mitos dizem que existem feitiços cravados no gelo que a ajudam a fortalecê-la e a repelir criaturas de natureza mágica. A Muralha não tem qualquer tipo de portões, dispõe apenas de túneis para que a possam ultrapassar. Os túneis encontram-se protegidos por grandes de ferro e correntes. Nos castelos já abandonados os túneis estão selados com pedras e gelo. A Muralha é mantida e defendida pelos Irmãos Juramentados da Patrulha da Noite.

  • A História

Segundo as lendas, a Muralha foi construída à mais de oito mil anos. Brandon construiu a Muralha com a ajuda de Gigantes que usavam a sua grande força para empurrar os blocos de gelo para os seus lugares. Pode haver alguma verdade nisto, embora as histórias tornem os gigantes muito maiores e poderosos do que realmente eram. Essas mesmas lendas também dizem que os filhos da floresta – que não construíam muralhas nem de gelo nem de pedra – contribuíram com a sua magia para a construção. A construção começou na sequência da Longa Noite, o inverno que se prolongou por uma geração e levou os Outros a cair sobre os reinos dos homens e a quase pôr-lhes um fim.Várias citações dos livros levam a crer que a Muralha foi muito mais pequena na época de Brandon, tendo sido depois ampliada pelos construtores da Patrulha da Noite no decorrer dos séculos seguintes, construtores esses que carregavam enormes blocos de gelos dos lagos congelados da Floresta Assombrada e os arrastaram para o sul, tornando assim a Muralha mais alta. Ano após ano, a Patrulha foi minguando. Os seus próprios registos provam que esse declínio já se fazia sentir antes ainda da era de Aegon, o Conquistador, e das suas irmãs. Embora os irmãos negros da Patrulha ainda defendam os domínios dos homens com toda a nobreza de que são capazes, as ameaças que enfrentam já não vêm dos Outros, de vampiros, de gigantes, de videntes verdes, de wargs, de troca peles nem de outros monstros das histórias infantis e de lendas, mas de bárbaros selvagens armados com machados de pedras e mocas; selvagens, certamente, mas meros homens, longe de serem adversários à altura de guerreiros disciplinados. Atualmente a Patrulha limita-se apenas a fazer a manutenção da muralha. Ao longo da Muralha foram construídas dezanove castelos, mas no tempo atual (quando se inicia As Crónicas de Gelo e Fogo) só três estão ativos, sendo elas: Torre Sombria, Castelo Negro e Atalaideste-do-Mar.

– Uma rainha vivia aqui? – perguntou Ygritte.

– Uma rainha passou aqui uma noite. – Fora a Velha Ama que lhe contara a história, mas o Meistre Luwin confirmara a maior parte dela. – Alysanne, a esposa do Rei Jaehaerys, o Conciliador. Chamam-lhe o Velho Rei por ter reinado durante tanto tempo, mas era jovem quando subiu ao Trono de Ferro. Nesses tempos, era seu costume viajar por todo  o reino. Quando veio a Winterfell, trouxe a sua rainha, seis dragões, e metade da corte. O rei tinha assuntos a discutir com o seu Protetor do Norte, e Alysanne aborreceu-se, por isso montou no seu dragão Alaprata e voou para norte, a fim de ver a Muralha. Esta aldeia foi um dos lugares onde parou. Mais tarde, o povo pintou o topo da sua fortaleza para se parecer com a coroa de ouro que ela usara quando passara a noite entre eles.

– Nunca vi um dragão.

– Ninguém viu. Os últimos dragões morreram há cem anos ou mais. Mas isto foi há mais tempo.

– Rainha Alysanne, dizes tu?

– A Boa Rainha Alysanne, como lhe chamaram mais tarde. Um dos castelos da Muralha também foi baptizado em sua honra. Portão da Rainha. Antes da sua visita chamava-se Portão da Neve.

– Se era assim tão boa, devia ter deitado aquela Muralha abaixo.

Não, pensou ele. A Muralha protege o reino. Dos Outros… e também de ti e dos teus, querida. 

Jon | A Tormenta de Espadas


  • Patrulha da Noite

A Patrulha da Noite é uma irmandade dedicada à manutenção da Muralha. A fundação desta irmandade remonta à Era dos Heróis quando os Outros foram forçados a recuar para o extremo norte. Os homens da Patrulha da Noite vestem apenas o negro.

Os votos da Patrulha da Noite:

Night gathers, and now my watch begins. It shall not end until my death. I shall take no wife, hold no lands, father no children. I shall wear no crowns and win no glory. I shall live and die at my post. I am the sword in the darkness. I am the watcher on the walls. I am the fire that burns against the cold, the light that brings the dawn, the horn that wakes the sleepers, the shield that guards the realms of men. I pledge my life and honor to the Night’s Watch, for this night and all the nights to come.


  • Os Castelos da Muralha

Castelo Negro (o maior castelo ocupado, localiza-se na extremidade norte da Estrada do Rei e é mantido por cerca de seiscentos Irmãos da Patrulha);

Torre Sombria (o castelo que se situa mais a oeste e é ocupado por duzentos homens);

Atalaialeste-do-Mar (uma pequena vila com um porto da Patrulha da Noite; conta com o menor contingente de homens);

Depois de Jon Snow ser eleito o 998º Lorde Comandante, ele começou a elaborar um plano para ocupar todos castelos. Os castelos ocupados são:

Guardagris (reocupado por 30 homens da Patrulha sob o comando de um Intendente da Torre Sombria);

Portapedra (oferecido ao Povo Livre, que está a ser liderado por Soren Quebrescudo, para se instalarem e guarnecerem o local);

Marcagelo (reocupado com 30 homens sob o comando de Bedwyck, vinte da Patrulha e dez homens de Stannis Baratheon);

Fortenoite (o maior dos castelos; recentemente oferecido a Stannis Baratheon para ser usado como a sua sede);

Lago Profundo (reocupado pelo Povo Livre sob o comando de um membro da Patrulha)

Portão da Rainha (dado aos selvagens liderados por Morna Máscara Branca para se instalarem e guarnecerem o local; em tempos este castelo chamou-se Portão da Neve, antes de ser rebatizado em honra da Boa Rainha Alysanne);

Escudorroble(dado ao selvagem Tormund e ao seu clã);

Solar das Trevas (reocupado por selvagens sob o comando de um membro da Patrulha);

Monte Longo (reocupado por esposas-de-lança selvagens sob o comando de Emmett);

Guardaverde (dado aos selvagens do clã de Devyn Esfolafoca para se instalarem e guarnecerem o local);

Os outros castelos, ainda não ocupados no tempo atual da história, são:

Archotes

Atalaiabosque-da-Lagoa

Atalaioeste-da-Ponte

Bosque de Sentinelas

Colina de Geadalva

Portão da Geada

  • Defesas e Táticas

De forma a conservar boas defesas, a Patrulha não permitia que a floresta se aproxime num eixo de oitocentos metros a partir da Muralha. No entanto, com o passar do tempo a floresta voltou a crescer junto à Muralha nos locais próximos aos castelos abandonados. No topo, a Muralha tem catapultas e guindastes.

As galés de Atalaialeste-do-Mar patrulham a Baía das Focas para prender os contrabandistas que se desviam da Muralha pelo mar para vender armas aos selvagens; a oeste, as montanhas e o rio Garganta, tornam o terreno impenetrável, exceto para pequenos grupos de invasores.

A Muralha proporciona uma tremenda vantagem tática a quem a defende, permitindo que um grupo pequeno consiga deter uma força muito maior. Quem defende a Muralha fica, normalmente, além do alcance das flechas e das catapultas e, por sua vez, fazem uso de arqueiros, catapultas e objetos atirados para contra atacar. Para quem ataca existem duas táticas, um ataque diretos aos portões (que foram projetados de forma a dificultar uma entrada forçada) ou escalar a Muralha em pequenos grupos e atacar o portão pela retaguarda. Em casos extremos os portões podem sempre ser preenchidos por pedras e gelo, tornando assim totalmente impenetrável o portão.

Escalar a Muralha também envolve grandes dificuldades, como Jon Snow descobriu no tempo que forjou uma lealdade com o povo selvagem. Também há quem acredite que a Muralha “se defende a si própria”, libertando pedaços do seu próprio gelo.

Segundo as lendas, a Muralha é vulnerável ao Berrante de Joramun.


  • Berrante de Joramun

Segundo as lendas, Joramum foi o primeiro Rei-para-lá-da-Muralha. Ele afirmava ter um corno que derrubaria a Muralha quando desperta-se os “gigantes da terra”. Atualmente, é alegado que se o berrante for soprado, derrubará a Muralha. No tempo atual da história, Mance Rayder afirma ter encontrado o Berrante de Joramun, no entanto é um berrante falso.


  • A Dádiva de Brandon e a Nova Dádiva

Cerca de vinte e cinco léguas de terreno a sul da Muralha foram oferecidas à Patrulha da Noite por Brandon, o Construtor, para o sustento e suporte da irmandade. Este território ficou conhecido como a Dádiva da Brandon. No entanto alguns meistres defendem a ideia que foi um outro Rei do Norte também chamado Brandon que cedeu este território à Patrulha. A Dádiva de Brandon foi durante milhares de anos cultivada, mas consoante a Patrulha foi minguando a natureza foi reclamando para si muitos edifícios e pomares.

Milhares de anos mais tarde, quando a Rainha Alysanne deslocou-se ao Norte ela visitou a Muralha. O afeto que ela desenvolveu pela Patrulha foi de tal forma grande que ela conseguiu convencer o seu marido, Rei Jaehaerys I a duplicar as terras da Patrulha. Mais vinte e cinco léguas de terreno foram oferecidas à irmandade, as quais passaram a ser conhecidas como a Nova Dádiva. As vilas existentes nestes terrenos pagam impostos em forma mantimentos e trabalhos para a Patrulha, ajudando assim a alimentar e providenciar a irmandade.

Pontos Relevantes (Dádiva e Nova Dádiva).

Numa colina acima deles erguia-se outra torre redonda, antiga e vazia, com um espesso musgo verde a escalar o seu flanco quase até ao cume.

– Quem construiu aquilo, assim tudo em pedra? – perguntou-lhe Ygritte. – Algum rei?

– Não. Foram só os homens que viviam aqui.

– Que lhes aconteceu?

– Morreram ou foram-se embora. – A Dádiva de Brandon fora cultivada durante milhares de anos, mas à medida que a Patrulha ia minguando, foram havendo menos mãos para arar os campos, cuidar das abelhas e plantar os pomares, e assim a natureza reclamara o controlo de muitos campos de cultivo e salões. Na Nova Dádiva houvera aldeias e castros, cujos impostos, entregues em bens e trabalho, ajudavam a alimentar e vestir os irmãos negros. Mas essas tinham também desaparecido quase por completo.

– Foram tolos por deixar um castelo como este – disse Ygritte.

– É só uma casa-torre. Um qualquer pequeno fidalgo viveu aí em tempos, com a família e alguns homens a si ajuramentados. Quando chegavam assaltantes, acendia um farol no telhado. Winterfell tem torres três vezes maiores do que isto.

Ela olhou-o como se julgasse que ele estava a inventar aquilo.

– Como é possível que os homens construam tão alto, sem gigantes para erguer pedras?

Segundo as lendas, Brandon, o Construtor, tinha usado gigantes para ajudar a erguer Winterfell, mas Jon não quis confundir as coisas.

Jon | A Tormenta de Espadas


Muitas são as histórias e lendas que se contam que envolvem a Muralha. As mais conhecidas e já mencionadas em ‘As Crónicas de Gelo e Fogo’ são:

  • O Cozinheiro Ratazana

De acordo com a lenda, o homem, que mais tarde veio a ser conhecido como o Cozinheiro Ratazana, era um simples cozinheiro em Fortenoite. Ele tornara-se infame quando servira a um Rei Ândalo um empadão, que era feito de bacon e, sem que o Rei soubesse, do próprio filho do Rei. O Cozinheiro matara o filho do Rei, um Príncipe, para vingar-se de um erro que, supostamente, o Rei cometera com ele. O Rei,sem imaginar tal coisa, elogiou o sabor do prato e pediu para repetir. Os deuses, mais tarde, bravos pelo cozinheiro ter assassinado um hóspede sob o seu próprio tecto, amaldiçoaram-no, e transformaram-no em uma monstruosa ratazana branca, que só podia comer os próprios filhos.
Segundo a história, o cozinheiro é agora uma enorme ratazana branca, e todos os outros ratos que habitam em Fortenoite são os seus descendentes.

Bran não tinha tanta certeza. Fortenoite surgia em algumas das histórias mais assustadoras da Velha Ama. Tinha sido ali que o Rei da Noite reinara, antes de o seu nome ter sido varrido de memória dos homens. Fora ali que o Cozinheiro Ratazana servira ao rei ândalo o seu empadão de principe e bacon […]

[…]

O vento gerava um assobio nervoso ao estremecer por entre as torres, quebradas, os baluartes gemiam e aquietavam-se, e ouviam-se ratazanas a esgravatar sob o chão do grande salão. Os filhos do Cozinheiro Ratazana, a fugir do pai.

[…]

E assim foram explorar, com Jojen Reed na liderança, Bran no seu cesto às costas de Hodor e Verão a caminhar a seu lado. Uma vez, o lobo gigante enfiou-se de súbito numa porta escura e regressou um momento depois com uma ratazana cinzenta entre dentes. O Cozinheiro Ratazana, pensou Bran, mas o animal era da cor errada, e só tinha o tamanho de um gato. O Cozinheiro Ratazana era branco, e quase tão gigantesco como uma porca.

[…]

Quando as chamas já ardiam bem, Meera pôs o peixe ao lume. Pelo menos não é um empadão de carne. O Cozinheiro Ratazana tinha feito com o filho do rei ândalo um grande empadão com cebolas, cenouras, cogumelos, montes de pimenta e sal, uma fatia de bacon e um escuro vinho tinto de Dorne. Depois, serviu-o ao pai, que elogiara o sabor e pedira para repetir. Mais tarde, os deuses transformaram o cozinheiro numa monstruosa ratazana branca que só podia comer os próprios filhos. Vagueara desde então por Fortenoite, devorando os filhos, mas a sua fome ainda não estava saciada.

– Não foi por assassínio que os deuses o amaldiçoaram – dizia a Velha Ama – nem por servir ao rei ândalo o filho num empadão. Um homem tem direito à vingança. Mas matou um hóspede sob o seu tecto, e isso os deuses não podem perdoar.

Bran | A Glória dos Traidores

  • O 13º Comandante da Patrulha da Noite – O Rei da Noite

Segundo a lenda, o Rei da Noite viveu durante a Era dos Heróis. Ele foi um guerreiro destemido e também o décimo terceiro Senhor Comandante da Patrulha da Noite . Mais tarde, ele apaixonou-se por uma mulher “com a pele branca como a lua e os olhos como estrelas azuis”. Ele perseguiu-a e amou-a, embora “a sua pele fosse fria como gelo”, e quando ele lhe deu a sua semente deu-lhe também a sua alma. O Rei da Noite trouxe-a de volta para o Castelo de Fortenoite e depois de se unirem no que se diz ser uma “união profana”, ele declarou-se rei e a ela a sua rainha, e governou Fortenoite como se fosse o seu próprio castelo durante treze anos.

Durante os anos em que o Rei da Noite governou foram cometidas atrocidades horríveis, atrocidades essas que ainda são mencionadas nos contos. A queda do Rei da Noite deu-se quando Brandon Stark (the Breaker) e Joramun uniram forças para derrotá-lo e assim libertarem a Patrulha da Noite. Depois da queda do Rei da Noite descobriu-se os sacrifícios que ele vinha a fazer aos Outros e desde aquele momento que se apagaram todos os registos que mencionam a sua existência  e o seu próprio nome foi proibido entre os homens até que ficou esquecido.

[…] As sombras que se reuniam lembraram a Bran outra das histórias da Velha Ama, a história do Rei da Noite. Tinha sido o décimo terceiro homem a liderar a Patrulha da Noite, dizia ela; um guerreiro que conhecia o medo.

– E esse era o seu defeito – acrescentava – pois todos os homens devem conhecer o medo. – A sua perdição fora uma mulher; uma mulher vislumbrada do topo da Muralha, com uma pela branca como a Lua e olhos que eram como estrelas azuis. Sem nada temer, ele perseguira-a, apanhara-a e amara-a, embora a sua pele fosse fria como gelo, e quando lhe entregara a sua semente, entregara-lhe também a alma.

Trouxera-a de volta para Fortenoite e proclamara-a rainha e a si o rei, e com estranhas feitiçarias prendera os Irmãos Ajuramentados à sua vontade. Governaram durante treze anos, o Rei da Noite e a sua rainha cadáver, até que por fim o Stark de Winterfell e Joramun dos selvagens se aliaram para libertar a Patrulha da servidão. Após a sua queda, quando se descobrira que o Rei da Noite tinha andado a fazer sacrifícios aos Outros, todos os registos que o referiam foram destruídos e até o seu nome fora perdido.

– Alguns dizem que era um Bolton – concluía sempre a Velha Ama. – Alguns falam de um Magnar de Skagos, outros dizem Umber, Flint ou Norrey. Alguns querem convencer-nos de que era um Woodfoot, membro da família que governava a Ilha dos Ursos antes da chegada dos homens de ferro. Mas não era. Era um Stark, o irmão de homem que o derrubou. – Então dava sempre um beliscão no nariz de Bran, ele nunca o esqueceria. – Era um Stark de Winterfell, e quem sabe? Talvez o seu nome fosse Brandon. Talvez dormisse nesta mesma cama, neste mesmo quarto.

Não, pensou Bran. Mas caminhou por este castelo, onde vamos dormir esta noite. Não gostava nada daquela ideia. O Rei da Noite era apenas um homem à luz do dia, dizia sempre a Velha Ama, mas a noite era por si governada. E está a ficar escuro.

Bran | A Glória dos Traidores

Muitas são as histórias que se contam, mas nada garante que sejam verdadeiras.


  • As Teorias mais faladas sobre o que poderá vir a acontecer à Muralha  (analisamos teorias relacionadas com Game of Thrones e também com As Crónicas de Gelo e Fogo):

Todas as teorias apresentadas pelos fãs têm um consenso: A Muralha vai cair antes do final da história. A dúvida está em saber como isso irá acontecer.

  • O Dragão de Gelo – é provavelmente das teorias mais antigas mas também é uma teoria suportada por poucos (ou quase nenhuns fatos). A teoria sugere que dentro da Muralha está um Dragão de Gelo adormecido e que no momento certo ele irá despertar e derrubar a Muralha. Esta teoria tem como base um livro infantil escrito por George R.R. Martin, no entanto o autor nunca referiu que a história que conta nesse livro pertence ao mundo de Gelo e Fogo.
  • Bran provoca a queda da Muralha ao viajar para Sul dela – esta teoria surgiu durante a sexta temporada da série quando Bran foi marcado pelo Rei da Noite. Segundo a teoria, uma vez tocado pelo Rei da Noite, quando Bran passar para o Sul da Muralha ela perderá qualquer tipo de encantamento que a esteja a proteger dos White Walkers ficando assim frágil e capaz de cair/ser derrubada com facilidade..
  •  Berrante de Joramum – conforme já mencionámos mais a cima, as lendas afirmam que existe um corno com capacidades de derrubar a Muralha. O berrante que Mance Rayder afirma ser o de Joramum é falso mas isso não impede que exista mesmo um berrante com as capacidades descritas. Há quem acredite que o verdadeiro Berrante foi encontrado pelo Fantasma (e pelo Jon Snow) no Punho dos Primeiros Homens, no entanto trata-se de um berrante bem mais pequeno do que o mencionado nas lendas.

A excepção da teoria que envolve Bran, grande parte de todas as teorias que circulam entre os grupos de fãs acabam por envolver sempre um berrante e o dragão de gelo. Principalmente nos livros, nota-se que o autor por várias vezes menciona os berrantes e dá-lhes até um certo relevo. De recordar que também Victarion Greyjoy possui um Berrante de Dragão com o qual acredita que irá conseguir domar dragões. Este é uma curiosidade que reforça uma outra teoria, que acaba por ser uma mistura das duas teorias acima mencionas: uma outra teoria afirma que tal como existe um berrante capaz de domar dragões de fogo, existe um outro berrante capaz de domar dragões de gelo e que com esse berrante o dragão preso na Muralha irá despertar e desabar assim a estrutura toda que protege Westeros das Terras Além da Muralha.

Berrante de Dragão de Fogo.

Na série da HBO, os fãs acreditam que iremos ver a queda da Muralha durante/no final da sétima temporada. Resta-nos esperar que isto se confirme e só aí teremos a certeza de como se dará a sua queda na série, o que pode vir a ser (muito) diferente da versão que George R.R. Martin poderá apresentar nos livros.

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About Jon

Nascido entre o Gelo e o Fogo, descendente de duas das grandes casas de Westeros, Targaryen e Stark. Um apaixonado por este mundo que nos seus tempos livres dedica-se a fazer aquilo de que mais gosta, descobrir e dar a conhecer mais sobre este mundo.